Quatro manchetes diferentes para você entender o último golpe na guerra entre Google e Facebook

Google acusa: 'Facebook deixa dados dos usuários num beco sem saída'

Google encosta o Facebook na parede: pra pegar os dados dos meus usuários, deixa pegar os teus

Google altera termo de serviço para denunciar: 'apoiamos a portabilidade dos dados do usuário, o Facebook não'

Depois do Facebook arrombar a porta, Google compra cadeado
Emailimporter
Não entendeu? Mas ficou com vontade de entender? Se vc quer arranhar a superfície de tudo que está por trás da web 2.0 - de quando você passa um mailzinho no Gmail ou 'Curte' algo no Facebook - , você precisa ler esse furaço do TechCrunch. Não achei anúncio oficial do Google ainda. 

Parece declaração formal de guerra. A onipresente empresa da web fechou a porta na cara da maior rede social. A partir de agora, um usuário do Facebook não pode mais importar sua lista de contatos no Google para seu perfil no FB. O Google fez pequena alteração nos seus termos de serviço (é, as letrinhas mipudas da web). Agora, só tem acesso a API de Contatos do Google - que permite a exportação da sua lista de contatos para outro serviço - as ferramentas que oferecerem reciprocidade. Facebook não oferece, não permite que você exporte sua lista de contatos. Por isso, vai perder o acesso à pequena mina de ouro, ao passo mais básico que muita gente dá para povoar seu perfil. 

Em declaração ao TechCrunch, porta-voz do Google apresenta iniciativa como defesa da portabilidade dos dados do usuário. E não economiza farpas: 'O Facebook é beco sem saída para dados do usuário' ou 'usuários precisam entender que, ao exportar seus dados para o Facebook, estão na prática entrando numa armadilha'.

Na ausência de API aberta que permite a exportação de usuários, o Facebook tem acordos com Hotmail e Yahoo:importo daqui e você importa daí. o Google ficou de fora e resolveu estrilar, ao mesmo tempo que posa de defensor de uma web mais aberta.

Marvel faz capa de quadrinhos para cada time da NBA. Lebron é herói e vilão

Nunca antes na história do esporte americano os atletas tiveram tanto poder. LeBron James, Dwayne Wade e Chris Bosh não apenas escolheram jogar juntos mas aonde jogar. 

Qualquer resultado além do título será visto como fracasso. Na capa feita por artistas da Marvel, encomendada pela ESPN Magazine, os três usam escudos para se proteger das luzes dos holofotes de Miami Beach, onde escolheram jogar.
Heat_nba
O escudo do Capitão América não deixa dúvidas: ainda são heróis, apesar da acusações de capitulação, de que resolveram juntar forças para criar uma espécie de Império do Mal. 

Não, Kobe Bryant não aparece como Luke Skywalker (criação de George Lucas). Kobe aparece como homem de ferro, cuja mão com cinco anéis é cobiçada por todos. O conjunto de matérias só pode ser visto por assinantes da ESPN. Todas as capas da Marvel para a NBA, no entanto, podem ser vistas no link. 

LeBron aparece em duas. Acima, ele é herói sob ataque. Na dedicada ao Cleveland Cavaliers, ele reencarna Peter Parker e abandona não apenas a roupa de super herói mas vira as costas para uma cidade fantasma.

Gostei muito também da do auto exílio de Carmelo (que reedita capa clássica de 1980)e a do Detroit Pistons, onde Joe Dumars supervisiona linha de montagem defeituosa. O título de 2004 aliviou a barra do executivo que escolheu Darko Milicic antes de  Carmelo Anthony, Chris Bosh e Dwyane Wade, em 2003. Algo como contratar Val Baiano se tivesse a oportunidade de escolher Neymar, Ganso ou Mariano. Cada vez mais, a conquista ímpar parece evento isolado do que triunfo da filosofia de se apostar em elenco uniforme em vez de ceder às demandas das estrelas - o que custou ao time a própria alma e identidade, com as partidas de Billups e de Ben Wallace. 

Abaixo, veja making of com as equipes da ESPN e da Marvel!

Schopenhauer desconstrói o furo jornalístico e conceitua o papel de curador de conteúdo já em 1860

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê”  
escreveu Arthur (nome do meu filho) Schopenhauer em algum momento do século 19.

Schopenhauer_2

200 anos antes da internet sacudir os pilares do monopólio da imprensa, o filósofo do pessimismo - aquele a quem Nietzsche chamava de 'O Educador' - já desconstruía o papel preponderante do furo jornalístico e delineava a função do curador de conteúdo.

Marcas jornalísticas se erguem e se mantêm acima do ruído e do esgoto da internet (palavras do presidente do Google) muito através do furo. Mas nem a audiência nem a fidelidade são construídas em cima da informação absolutamente exclusiva.

Você é aquilo que repetidamente faz. A excelência não é um ato, mas um hábito (já dizia outro filósofo). E ninguém dá furo todo dia. Mas também não pode tomar todo dia. Não há peneira que pare em pé.

Na métrica, furo é unique visitor com alguma taxa de rejeição. Já a perene curva ascendente de audiência é resultado de serviço com foco no querido leitor somado a retrato em tempo real do que acontece ao redor da aldeia. (Quando alcançar o leitor não depende mais de rotativa e frota de caminhão, é preciso saber métricas e SEO).

Impérios como o da ESPN - the worldwide leader in Sports - são erguidos em cima da análise do comentário sobre o furo revelado por outra emissora ou jornal. A maior audiência de notícia na web americana não pertence a grupo tradicional de mídia. É do Yahoo, que de exclusivo tem um ou outro bom blogueiro.

Nem mesmo a revista mais valiosa do mundo - a the The Economist, que vê sua circulação crescer enquanto cobra o triplo das claudicantes similares americanas - dá furo . É um conjunto coeso de opiniões - essa coisa que blogueiro também tem e que manuais de redação do Twitter lutam para amordaçar.

Quem sabe serão imortalizados com o Esso, mas eu não sei quem trouxe à luz do sol os atos secretos. (Muito menos sabe o leitor médio).

Na web, quantos retuitadores malucos sabem quem inventou o #zemayerfacts? E o Yes We Créu? Mas milhões de leitores sabem quem antecipou a morte do Michael Jackson. O mesmo site fofoqueiro que divulgou áudio de Obama chamando outro negão de idiota. (E pensar que uma TV abriu mão do furo e preferiu censurar o Twitter).

A censura rejuvenece a relevância e a marca do Estadão. Mas tão rápido quanto alguém digita 140 caracteres, todo e qualquer conteúdo original é digerido e reapropriado. (Seis meses depois, o referido Estadão entendeu que Maria Rita Kehl tinha cumprido um ciclo).  

Por isso, vale mais a organização elegante. Vale mais agregar conteúdo e ter seu conteúdo agregado internet afora.

Precisa cair o tabu da concorrência. Vale mais abraçar o furo relevante do outro do que nutrir a própria campanha que só interessa ao aquário da redação. E o paywall não poder sequer ser erguido.

Copyleft da imagem: Tainá Ribeiro
Copyleft da citação do pessimista: Facebook da Mariana Moura e Henry Jenkins

PS: esse post foi escrito em 08/10/2009 e deletado por engano 1 dia antes de comopletar um ano, em 07/10/2010. Foi republicado dois minutos depois a partir da sua cópia no cache de São Google. (Tinha 2470 views e tenho certeza que cada um era um leitor bacana). Na mesma ocasião, foi acrescentado o adendo sobre o ciclo cumprido pela Maria Rita Kehl.

 

Na reportagem transmídia no @globoesportesp, jogadores do Timão pedem vídeo e depois o viralizam no Twitter

A Central da Copa apresentou ao resto do Brasil as estripulias de @TiagoLeifert à frente do @globoesportesp . Fora do estado, pouca gente viu a narrativa transmídia alcançada nesta terça-feira.

Na segunda-feira, dia seguinte à vitória do Corinthians sobre o arqui-rival São Paulo, sugeriu, através do Twitter, exibição de pitoresco lance da épica vitória:

  1. Paulo André Benini
    PauloAndre03 @TiagoLeifert por favor, ache o lance do @WilliamCapita catando cavaco aos 40 min do segundo tempo... Elenco corintiano agradece... Kkkkk

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Tiago e sua equipe prontamente empurraram para dentro do gol, como você pode ver abaixo.

O ciclo transmídia ficou completo quando diversos jogadores corinthianos (retuitados pelo @globoesportecom) desejaram parabéns ao capitão do Timão, viralizando o link com a matéria na internet. 

  1. Dentinho
    mlkdentinho Meus parabéns ao nosso capitão, o parceiro @WilliamCapita. Minha homenagem a ele http://bit.ly/aVlWv7 kkkkkkkk

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Google e Twitter entram na justiça contra 3 bancos americanos e a favor da informação livre. Caso pode definir futuro da web

Google e o Twitter entraram numa corte de apelação americana contra três dos maiores bancos de investimento americanos. Em abril, uma juíza de Nova York sentenciou: o site especializado em informações financeiras theflyonthewall.com não pode divulgar relatórios financeiros produzidos pelos bancos Merrill Lynch, Barclays e Morgan Stanley antes das 10h - ou uma hora após a abertura do pregão da bola de Nova York. Se as recomendações dos pesos-pesados de Wall Street forem feitas durante o pregão, o embargo dura duas horas. 

 
Na sua sentença, a juíza deixa claro que a 'censura' (termo que ela não usa) extrapola o site e seus concorrentes diretos e se estende a toda empresa de mídia. Ela afirma que, ao publicar notícias sobre a alteração de recomendações para compra e venda de ações, muitas vezes antes que os bancos conseguissem falar com seus clientes, o site cometia apropriação indébita e pegava carona de graça nas informações produzidas pelos bancos para seus clientes. O linguajar parece saído de um discurso de Rupert Murdoch contra a internet e o Google, não?
Robinhood_art
Detalhe, o site cobra em média US$50 dólares pela assinatura mensal enquanto os bancos cobram milhares de dólares para vender seus relatórios. Para seus clientes, era uma espécie de Robin Hood de Wall Street, que diminuía o fosso entre o investidor pessoa física e os conglomerados financeiros.
 
O site recorreu da setença e diz que corre o risco de fechar as portas antes de ter a apelação julgada. Parecia brigar sozinho, diante do silêncio da mídia americana - ela mesma envolta em erguer paywalls para fechar, proteger e cobrar pelo próprio conteúdo. Até que, na noite de segunda-feira, Google e Twitter entraram na briga.
 
Na petição, as gigantes da internet afirmam que na era da internet e da comunicação instantânea, impedir um site de disseminar notícias em tempo real é 'decisão obsoleta', impossível de ser aplicada do ponto de vista técnico e que contraria o interesse do público. 
 
Encerram evocando a consituição americana, dizendo que noticiar ionformação verdadeira é uma das mais protegidas formas de livre expressão e perguntam: 'algum tribunal vai decidir qual o período de embargo em que determinados veículos não podem noticiar fatos sobre atentaos a bomba em Times Square'. 
 
Ao assumir a briga do peixe pequeno, Google e Twitter mostram que sabem que está em jogo o modelo de negócios doa dois gigantes, de ser plataforma onde usuários buscam, encontram e divulgam informações. Está em jogo o mantra do Google: a informação quer ser livre.
 
De que lado você fica? A recomendação de um banco de investimento pode ser noticiada? Pode ser noticiada por um site fechado, que cobra dos seus leitores? Ou banco e seus clientes têm direito a manter a informação em sigilo?

No meu perfil, Twitter já mostra trending topics patrocinados

Entre os muito boatos divulgados na esteira do #calabocagalvao, um divagava sobre a queda dos Trending Topics justamente no dia da estreia do escrete do Dunga. Pelo visto, eram apenas ajustes técnicos para a exibição de trending topics pagos. Já estão sendo exibidos no meu perfil. No caso, anúncio do lançamento do Toy Story 3, que aparece no fim do habitual ranking (que continua com 10 posições), ao lado de selinho dourado que identifica o TT como pago. 

O clique leva para busca do termo patrocionado. No alto, fixo na primeira posição, o tweet pago. Veja como fica na imagem. 

 

(download)

Infográficos sobre base de dados são bons porque transferem para o leitor o poder da edição

Na excelente palestra que fez no #Sijol (I Seminário Internacional de Jornalismo da Fundação Knight), o espanhol Alberto Cairo, diretor executivo de Arte da Editora Globo, fez a seguinte afirmação: 'Gráficos em base de dados se eximem da edição, que é o trabalho do jornalista' (segundo a transcrição no Twitter do professor @trasel)

É o contrário: esse tipo de infográfico é bom justamente por transferir para o leitor o poder da edição. Ao fazer isso, o info se aproxima de uma ferramenta ou aplicação e explora todo o potencial da internet. 
 
Negar isso é não reconhecer as transformações que o jornalismo atravessa, sacodido pelas novas tecnologias de produção e distribuição. É ver apenas risco onde há muita oportunidade.
 
A seguir, quatro motivos porque abrir mão da edição é melhor.
 
Long-tail
 
1 Cada cabeça, uma sentença. Para cada leitor (ou para um milhões de visitantes únicos), múltiplas perguntas e infinitas respostas
Com todo talento e capacidade que Cairo - e todos nós jornalistas e editores temos - somos sim capazes de alcançar a melhor resposta para uma pergunta ou a melhor forma para se contar uma história. O problema - ou justamente a beleza e a oportunidade que a web apresenta - é a possibilidade do leitor fazer mais de uma pergunta e alcançar mais de uma resposta. O info em base de dados satisfaz a cauda longa da curiosidade do leitor. O infográfico magistralmente editado se restringe à pergunta mais frequente, mesmo que a mais importante.
 
2 Aumenta o engajamento e o tempo na página. O infográfico você vê, a ferramenta você usa
A resposta cristalina e bem editada oferece um clique ao leitor. A possibilidade de múltiplas perguntas faz o leitor refletir. 
Em vez do olho do internauta navegar durante alguns minutos e dar alguns cliques numa página, ele preenche lacunas, escolhe regiões ou recortes do tempo. Reformula suas perguntas, reflete sobre a realidade e reconstrói tudo de novo. É mais complexo, mas o leitor sai da experiência (e muitas vezes volta) mais inteligente. No pain, no gain.
 
3 O resultado não é definitivo. Muda não apenas diante dos olhos do leitor mas de acordo com a realidade
Na tela do computador do leitor, o infográfico está pronto. Reflete a visão de mundo de uma pessoa (de uma equipe ou de um grupo de comunicação) e principalmente é o retrato/recorte de um momento específico. Uma ferramenta sobre banco de dados pode ser constantemente e automaticamente atualizada à medida que a realidade muda, além de ganhar vida e feições diferentes à medida que o leitor interage. Não tem prazo de validade, nem fica velho.
 
4 Exerce plenamente o conceito de web 2.0: participação em vez de mera publicação
Participação do leitor e conteúdo gerado pelo usuário são as faces mais visíveis e badaladas do conceito de web 2.0. Todas as duas estão presentes no info em base de dados. Em vez de consumir uma informação, é o próprio leitor que a produz, a partir das suas perguntas. Mas o info em base de dados atende também ao conceito mais importante e estratégico da web 2.0, aquele que vê a internet como plataforma.
Uma ferramenta de visualização de dados é uma plataforma que permite ao leitor construir sua visão de mundo ... ou ao menos sua opinião a respeito daquele assunto. É mais do que veículo para a divulgação de uma visão de mundo, por melhor e mais bem ilustrada que ela seja.
 
O infográfico é o peixe. A ferramenta de visualização de dados é a vara de pescar.
 
Você concorda? 
 
Leia também 

Migre.me começa a vender espaço publicitário no meio do ranking de mais tuitados

Sou fã da Kingolabs. Uso o encurtador Migre.me na minha conta pessoal e nas contas de Twitter que administro e já administrei. 

 
Hoje, notei que a startup deu passo importante e arriscado: passou a vender espaço publicitário em meio ao ranking de mais clicados e retuitados. Pelo menos desde fevereiro, o formato faz parte do mídia kit da empresa.
 
O passo é importante porque premia o excelente trabalho e investimento feito pelo Migre.me, ao longo de três anos. Arriscado porque mistura seu espaço mais nobre ao espaço publicitário. 
 
O 'tweet pago' não é claramente ostensivamente marcado como tal. Está ali como se fosse o terceiro mais lido e o terceiro retuitado do dia. A tipologia, a cor do background, não mudam. 
 
Migre
 
É possível notar que se trata de publicidade porque o balão onde estaria o número de RT´s ou de cliques nas últimas seis horas está vazio (em vez de amarelo com números pretos). Passar o cursor sobre o nome do perfil/cliente também mostra url migre.me/patrocinado_user associada à url do perfil que comprou espaço ali (técnica que permite contabilizar tráfego gerado pela promoção). 
 
Evidentemente, a mistura entre espaço publicitário e o ranking gera mais valor para o anunciante. Mas é ruído para quem consulta o ranking como caixa de ressonância da tuitosfera brasileira. 
 
Eu já tenho dedicado mais atenção inclusive ao ranking de cliques. O de RT´s tem sido dominado por campanhas do tipo: 'dê RT para concorrer a X'. É comum ali um número maior de RT´s do que cliques: uma mensagem ser retuitada mil vezes acompanhada de link clicado cinco vezes menos. Nego retuíta sem nem saber do que se trata. A onda é o brinde.
 
Evidentemente, nesse caso o Migre.me é apenas mensageiro. Por uso alheio ao seu controle, o ranking de RT´s muitas vezes parece mais com ranking da 'jabatosfera'.
 
Torço para que o excelente encurtador continue crescendo e encontre caminho que preserve e amplifique sua relevância, ao mesmo tempo que explora formas inovadoras de ganhar dim-dim com as redes sociais.